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Receber tratamento correto é maior desafio da asma, diz especialista

Receber o tratamento adequado para a asma, o mais rápido possível, é o maior desafio da doença, que pode matar. Outro é garantir o acesso às novas terapias, na maioria das vezes, pouco acessíveis devido ao alto custo. Essa é a opinião do pneumologista David Jackson, especialista na doença e líder do serviço de asma grave no Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust (Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra).

O médico britânico esteve no Brasil neste sábado (4) para participar de um evento sobre doenças respiratórias exclusivo para médicos e conversou com o R7.

Segundo ele, a asma é uma doença complexa e a dificuldade no diagnóstico é um problema mundial. “Muitos dos sintomas da asma podem ser confundidos com outras doenças. Uma pessoa com falta de ar, na verdade, pode ter algum problema no coração. Uma pessoa obesa também pode sentir essa falta de ar, mas por conta do excesso de peso. Além disso, ainda não existem exames perfeitos de detecção da doença”, diz.

Mais de 20 milhões de pessoas têm asma no Brasil e cerca de 2 mil morrem em razão dessa condição, de acordo com o Ministério da Saúde. Além disso, é a primeira causa de internação entre as doenças respiratórias, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia (SBPT).

Nesta terça-feira (7), Dia Mundial da Asma, Jackson esclarece algumas questões sobre a doença, que não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado. Leia a entrevista a seguir.

Asma na gravidez influencia se criança terá o problema?
A chance de uma criança desenvolver asma é maior se a mãe tiver asma descontrolada durante a gravidez. E o oposto também acontece: se a gestante estiver com a asma controlada, o risco de seu filho apresentar a doença é reduzido. Também sabemos que fumar durante a gestação aumenta a chance do desenvolvimento da doença na criança.

É verdade que crianças que desenvolvem asma são portadoras de microbiomas com menor biodiversidade de bactérias do que o de crianças saudáveis?
Sim. Crianças que nascem com asma podem ter um microbioma diferente, mas como os esteroides mudam esse ambiente, é difícil saber se a diferença foi por causa do efeito do tratamento.

A incidência da asma é maior em cidades mais poluídas ou isso é mito?

Mesmo sem poluição existe um aumento de casos de asma em grandes centros urbanos e redução em regiões interioranas. A poluição certamente piora o cenário, mas outros aspectos não relacionados a ela devem ser considerados, como a interação entre alguns patógenos [agentes causadores de doenças] e o sistema imunológico. E uma das razões para a asma e alergia estarem aumentando no mundo Ocidental é que mantemos o ambiente limpo, não estimulando o sistema imunológico a entrar em contato com outras substâncias.

O fator emocional pode ser um gatilho para a crise de asma?
O estresse e a ansiedade realmente pioram a asma. Existe uma relação direta e intensa entre o nosso cérebro e o sistema imunológico. Por isso, sabemos o quanto é importante que esses pacientes tenham um atendimento multidisciplinar. Por exemplo, recorrendo a sessões de terapia para ajudar no controle da ansiedade.

Por que a asma deve ser tratada com um enfoque multidisciplinar?
A asma é uma doença complexa. Existem diferentes condições envolvendo os pacientes asmáticos. Por exemplo, o uso de esteroides como parte do tratamento no caso da asma grave pode deixar os ossos mais fracos, levando à osteoporose. E existe uma relação da asma com o diabetes. Por isso é importante que o paciente tenha um acompanhamento completo que inclui diversos profissionais.

De acordo com uma recente pesquisa, mais de 70% dos pacientes tiveram dificuldade em receber o diagnóstico correto no Brasil. O que ajudaria a melhorar esse diagnóstico?

A dificuldade no diagnóstico é um problema mundial. Muitos dos sintomas da asma podem ser confundidos com outras doenças. Uma pessoa com falta de ar, na verdade, pode ter algum problema no coração. Uma pessoa obesa também pode sentir essa falta de ar, mas por conta do excesso de peso. Além disso, ainda não existem exames perfeitos de detecção da doença, muitos funcionam para alguns e outros, não. Também nem todos os médicos conseguem ajudar em todas as situações e existe um atraso no diagnóstico.

Qual o principal desafio da asma hoje para a medicina? A cura será possível um dia?

O grande desafio é fazer com que o paciente com asma grave receba o tratamento adequado e o mais precocemente possível, já que a doença pode matar. Outro é garantir que os pacientes tenham acesso às novas terapias, que nem sempre são acessíveis por conta do alto custo. Não se pensa em cura, pois se trata de uma doença crônica. Mas ela pode ser controlada com o tratamento adequado.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a asma atinge mais de 20 milhões de pessoas no Brasil e causa mais de 2 mil mortes por ano no país. Sintomas como falta de ar acentuada ou até mesmo dificuldade para falar as frases de uma só vez, podem ser sinal de crise. A asma grave não tem cura, mas algumas dicas podem amenizar o problema

Fonte: R7

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