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Agricultor da PB abandona produção para vender vento

O paraibano Luis Cardoso, conhecido como Piúga, tem 73 anos e sempre trabalhou com agricultura. No entanto, há cerca de oito anos, o produtor decidiu trocar as plantações de algodão, milho e feijão para vender vento.

Os problemas enfrentados com as fortes secas que dificultam a produção agrícola deram lugar a uma oportunidade gerada pelos ventos fortes e constantes registrados no Nordeste, o que favorece o desenvolvimento de projetos eólicos. A “oferta” abundante do recurso atraiu a indústria e mudou a vida de agricultores como Piúga.

O produtor recebeu a proposta de uma empresa eólica espanhola para instalar três aerogeradores em sua fazenda. A companhia Neoenergia aluga a propriedade de outras 23 famílias.

– Nunca tinha ouvido falar que podíamos vender o vento. Minha mulher achava que perderíamos o pouco que tínhamos, mas eu já tinha dado minha palavra, não podia voltar atrás. Ninguém queria essas terras, não serviam para nada. Mas agora há vento, e eu alugo – afirmou Piúga, ainda incrédulo com a proposta que recebeu.

Em 2020, a Neoenergia iniciará uma ampliação da usina próxima ao terreno de Piúga para construir mais 15 parques eólicos. Desta forma, o local será o maior complexo do tipo da América Latina.

– Antes isso era uma região seca, e ninguém queria um terreno aqui, mas desde que os moinhos chegaram, todo mundo está interessado. Foi por isso que deixei de trabalhar com algodão para vender vento – explicou.

Segundo relatório da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), 14% da energia produzida no Brasil é a partir de vendas. No Nordeste, o índice chega a 70%, motivo pelo qual a região começa a atrair uma série de investimentos no setor.

Além disso, o Brasil vem escalando postos no ranking de países que mais geram energia eólica no mundo. Atualmente, o país ocupa o oitavo lugar, segundo o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), com 7 mil aerogeradores em funcionamento e 569 parques eólicos.

FONTE: Pleno.News

*Com informações da Agência EFE

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